domingo, 7 de maio de 2017

Ir



Chega de ter limites.
Quero romper barreiras.
Quero o prazer incomensurável
A vida passa, fiquei presa aqui. 
Rogando piedade aos transeuntes, feito mendiga.
Chegou a hora de rasgar os velhos trapos e correr nua pelas ruas ...

Angel

Demônios



Hoje o demônio se apossou de mim.
Minha alma voou para uma dimensão obscura. E em meu corpo Lilith fez morada.
Ela falou pelos meus lábios.
Seduziu marinheiros. Despiu poetas.
Lilith almoçou com meus parentes e vomitou sobre a mesa do jantar.
Transou com meus homens e os fez gozar.
Hoje um demônio se apossou de mim enquanto minha alma constatava apavorada que ninguém ao redor percebia nada....

Angel

Domingar


Amanhece e os sons da cidade acordam. 
Fecho as frestas da janela, preciso da escuridão.
 Hoje é domingo e não preciso ver o mundo. 
Cinco dias da semana me obrigo a saltar da cama e sobreviver. Hoje não saudarei ao sol. 
Habitarei a caverna não platônica, respirando solidão no ar e cheirando meus dedos com fluidos vaginais. Foda-se o resto.

Angel.

Assalariada



Trêmulo na corda bamba
Há muitos boletos no bolso direito
E pouco amor do lado esquerdo. 
Bambeio. Oscilo ociosa.
Não é que tiraram a rede salva vidas?
Se cair a queda é livre. 
Embora seja bem provável que me enforque com a coleira que botaram no pescoço quando fiz dezoito.

Angel.

Durona


Quando olho no armário e não vejo as roupas do meu homem penduradas.
 Não choro.Mudo o tom de voz para grave, o olhar endureço, peço-lhe as chaves e aponto para a rua. 
Antes que diga que vai partir parto ao meio este troço que chamam de amor.
A porta da rua é a serventia da casa. Dá no pé, cria asa. E saia daqui, não esqueça de bater o portão.
É assim que ouço a batida caio abatida no chão...
Me rasgo, me corto, me descabelado, bebo veneno e quebro o espelho.
Eu sofro escondida. Na rua, bandida: batom vermelho, vestido colado, salto afinado.
E só pra não lhe dar o gostinho passo sorrindo e lhe aceno com a mão.

Angel.